quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Livro reúne 40 pioneiros do transporte de cargas mineiro


A trajetória dos principais transportadores de cargas em Minas Gerais se confunde em causos, ilustrações e peculiaridades no livro Transportador Mineiro – História Pioneira. Lançado pela historiadora Ana Maria Nogueira Rezende e o jornalista Luciano Alves Pereira durante a feira Minastranspor’2012  realizada em agosto, no Expominas Belo Horizonte, o trabalho de mais de 200 páginas descreve o surgimento de 40 empresas pioneiras no Estado que continuam em plena atividade. A mais antiga surgiu em 1931 em Juiz de Fora (Região da Zona da Mata mineira) com o nome de Rodoviário Camerino, para anos mais tarde se transformar na Picorelli Transportes.


Em comum, revela Ana, há o fato de muitas das transportadoras serem originadas de imigrantes e familiares de origem italiana. Empresas que hoje estão até na quarta geração de diretores, após cresceram bastante no ramo de atuação. “São histórias interessantes de pessoas que enxergaram o transporte como um negócio, em uma época em que isso não era comum”, conta Ana. A historiadora acrescenta que como não haviam estradas asfaltadas, os caminhoneiros tinham que contar com a ajuda de foices e enxadas para desbravar os caminhos de terra. Houve até o caso de um pioneiro ter que tirar a carga da carroceria do pesado para conseguir transpor um morro.

Uma das histórias mais peculiares para Ana, entretanto, é o do proprietário da Transpes, fundada em 1966. O criador da empresa veio da Espanha como clandestino em um navio na década anterior. “E como aquelas pessoas que vinham clandestinas na época, ele achava que ia ter que entrar no Brasil pelo mar, nadando. Mas quando desceu no Rio de Janeiro encontrou uma roda de samba e começou a trabalhar ali mesmo no porto, carregando e descarregando. Conheceu um caminhoneiro e começou a viajar”, relata.


A produção do livro demandou cerca de três anos. Além da captação de recursos, outro desafio foi a coleta de informações. Para conseguir as histórias dos pioneiros, Ana teve de percorrer praticamente todo o Estado. Como não havia registros, a historiadora contou com a memória oral dos envolvidos.

Colaboração
Outro grande incentivo foram a colaboração de Luciano Alves Pereira, especialista no setor há mais de 40 anos com a revista Veículo, e o trabalho de desenhos a lápis desenvolvido por alunos do Centro de Artes Yara Tupynambá de Itaúna (Centro-oeste de Minas). Com a ajuda dos artistas, Ana conseguiu reunir imagens dos pioneiros e dos primeiros caminhões no livro, uma vez que haviam poucos registros fotográficos das empresas desde a sua fundação. O próximo desafio da historiadora é dar vida a uma segunda obra, desta vez focada nas empresas de transporte de passageiros no Estado.

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