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segunda-feira, 16 de abril de 2012
Tamanho da encrenca
Exigência na redução do consumo de combustíveis e emissão de CO2 preocupa revendedores americanos e pode acabar influindo na economia
Por Fernando Calmon
fscalmon@gmail.com
Os governos dos Estados Unidos e da União Européia apresentam diferentes estratégias para diminuir o consumo de combustíveis fósseis e, por consequência, a emissão de CO2. Esse é principal gás de efeito estufa e seus possíveis efeitos sobre mudanças climáticas ainda se discutem em termos de prazos e abrangência.
Na Europa existem metas de emissões com cobrança de imposto sobre os carros que estiverem acima da média de 130 g/km de CO2 e bônus para os que se situarem abaixo. Nos EUA foi definida a obrigatoriedade de consumo médio de 23 km/l de gasolina, igualmente para a média dos automóveis vendidos por cada fabricante, até 2025. O governo americano deseja, ao mesmo tempo, reduzir sua dependência do petróleo e diminuir CO2 emitido nos escapamentos. Sempre se deve reforçar: não existem filtros ou catalisadores para esse gás, mesmo porque é atóxico. Para controlá-lo, só com veículos mais econômicos.
Sem dúvida, melhorar em mais de 50% os padrões atuais de consumo dos carros vendidos nos EUA trata-se de algo bastante ambicioso. Tanto que o governo até admite reavaliar esse alvo em 2018. Os fabricantes nem puderam espernear. Veio a ordem: cumpra-se. Onde entra o consumidor nessa história? Justamente isso ecoou durante a convenção anual da NADA (equivalente à Fenabrave), em fevereiro passado, em Las Vegas (Nevada). O presidente da entidade que reúne 18.000 concessionárias de automóveis e comerciais leves, William Underriner, foi incisivo. “Quase 80% dos nossos clientes pesquisados não estão dispostos a pagar mais por um veículo que gaste menos combustível.”
Ele citou o estudo da própria EPA (sigla, em inglês, para Agência de Proteção Ambiental) que estimou em US$ 3.000 (R$ 5.500) o acréscimo provável no preço sugerido para os automóveis, em média. Na realidade, o acréscimo deve chegar a US$ 5.000 (R$ 9.000) porque as modificações não se restringirão apenas a motores e câmbios. Haverá necessidade de usar materiais leves e caros, além de redução das dimensões externas e internas dos veículos. Seria necessário quase uma revolução cultural para que os compradores abrissem mão do conforto e ainda tivessem que pagar mais.
Underriner ressaltou que, historicamente, as concessionárias sempre apoiaram a fabricação de veículos que consumissem menos combustível. “Agora, se a política do governo vai encolher nossa base de clientes, não devemos ficar preocupados? A NADA questiona porque não desejamos ter de volta os salões de venda vazios. Quantas pessoas serão forçadas a comprar algo que não querem?” Embora essa reação pareça emocional, o risco existe. O pior dos cenários, levantado por Underriner, seria os clientes decidirem manter seus veículos atuais. “Se ocorrer, iria na contramão do objetivo de incrementar a economia de combustível.”
Mudar a mentalidade das pessoas pode ser tão difícil como os desafios técnicos à frente. Há muita pesquisa em desenvolvimento e, provavelmente, se poderia atender a meta exigida pelo governo. O problema é saber a que preço. Nos EUA, aumento de imposto, como ocorre na Europa, é palavrão. Alternativas, porém, escasseiam. Os combustíveis vão aumentar porque o preço do petróleo continuará a subir. E o dos carros, também. Dá para imaginar o tamanho da encrenca. Os motoristas europeus estariam mais resignados porque lá o combustível é caríssimo em razão dos impostos. Parte do acréscimo, na hora de preencher o cheque na loja, se compensaria ao diminuir o custo do quilômetro rodado.
No Brasil, estamos a meio caminho, em termos de combustíveis, em relação aos dois lados do Atlântico Norte. O governo, para tourear a inflação, congelou o preço da gasolina por cinco anos, a ponto de dar prejuízo à Petrobras no momento em que precisa de muito dinheiro para investir, e inviabilizou o etanol. Certamente, alguma encrenca surgirá à frente.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Segunda fase da Etiqueta Veicular ganha novo método de avaliação de consumo e a participação de Renault e Toyota
Um novo fator, que mede o consumo de combustível em condições reais de uso, passa a ser adotado na tabela 2010 do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. Baseado num modelo da Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA), o método, também estendido para a tabela 2009, avalia fatores (como qualidade do combustível, maneira de dirigir, uso do ar-condicionado, conservação das ruas e estradas, e calibragem dos pneus) que não podem ser avaliados em laboratório. Também passam a fazer parte do programa as marcas Renault e Toyota, que se somam à Fiat, Honda, Kia e Volkswagen, totalizando 67 modelos avaliados - cerca de 50% do volume de vendas do mercado nacional. Até 2009, na primeira fase do programa, havia 31 modelos inscritos.
O que é o programa
Concluída em dezembro pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) em parceria com o Conpet (Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural), programa vinculado ao Ministério de Minas e Energia e desenvolvido pela Petrobras, a segunda fase da Etiqueta Veicular classifica os veículos de acordo com a eficiência energética por categoria. Ou seja, quanto eles despendem de energia para se locomover.
A classificação vai de "A" (mais eficiente) até "E" (menos eficiente). São considerados mais eficientes os automóveis que, nas mesmas condições, gastam menos energia em relação a seus pares e, portanto, consomem menos combustível. Para comparar veículos que usam combustíveis diferentes, os valores de consumo verificados em álcool e gasolina são convertidos em joule, unidade que mede a energia.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
MARATONA DE ECONOMIA
PIONEIRISMO - Dias atrás a Fiat divulgou um teste de consumo do Mille Economy, que rodou 1.800 km entre Betim e Porto Alegre (RS) ao comando do jornalista Celso Ferlauto. Coincidência (ou não) eu já havia feito um teste de consumo semelhante com o Mille Economy em 2008, só que entre São Paulo (SP) e Betim -e sem o suporte do fabricante. Na época, a matéria foi capa do caderno Máquina do Agora São Paulo, jornal do Grupo Folha, onde trabalhei até novembro daquele ano. (B.F.)
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